terça-feira, 30 de novembro de 2010

Princípios sem fim

Num final de tarde de um domingo ensolarado, estava no parque e um casal me chamou a atenção, mas não pela forma apaixonante em que se beijavam, mas pela diferença de estatura que ambos tinham. O rapaz aparentava ter uns 25 anos e a sua estatura encontrava-se pela faixa de um metro e noventa e muitos, a mocinha da história, por sua vez, não tinha mais que um metro e sessenta e estava na faixa dos seus 22 anos.
No primeiro momento pensei, “que diferença”, que mesmo sentados num banco, o rapaz tinha que se curvar para poder beijar a moça, e ela quase que flutuava no banco, a fim de poder alcançá-lo. A principio vi isto como um obstáculo, após notei que talvez fosse algo criado dentro da minha cabeça para um problema que não existia. Mas isto tudo fez com que eu passe-se a refletir sobre esta diferença física e que isto poderia não ser nada perto de outros problemas muito mais complexos existentes no relacionamento a dois.
Comecei então a pensar nas diferenças intrínsecas, como aquelas clássicas tais como a maneira como cada um aperta o tubo de pasta de dente. Nisto o meu pensamento foi voando para os conflitos internos da rotina de um casal e principalmente naquilo que queremos mudar no outro para que se torne o “príncipe encantado” que sonhamos. Isto me levou a raciocinar na rotina que isto trás e a maneira como agimos a fim de afastar ou de aproximar este fantasma que nos acompanha.
Fantasmas que acabam se tornando o nosso tesão. O “ser amado” o nosso troféu, as promessas, as mentiras, e os perdões se tornam mais constantes e no fundo sentimos que ter a posse isto tudo é uma delicia, nos faz sentir amado mesmo que seja por alguns instantes. A situação se torna tal em que o que queremos não possuímos, mas quando o temos perde a graça. Esquecemos que somos seres humanos que interagem entre si, e tudo acaba se tornando uma falsa realidade que acaba indo para um caminho inevitável.
Mas voltando a diferença de estatura do casal, após esta reflexão, vi que isto não é nada perto da marca em que cada um de nós carrega, é quase como uma digital temperamental que não conseguimos mudar. E o que posso dizer é que não existem mudanças e não existe nada, pois quando estamos apaixonados não existe diferença, nem mesmo de estatura. E que no momento que as divergências começam, é o princípio sem fim, sendo mais claro, é o fim da paixão e o início da tempestade. Talvez um dia este casal se de conta da diferença de altura existente entre eles e verão que isto não é nada perto dos obstáculos que o convívio a dois pode trazer. E a maneira como eles irão administrar tudo isto é que dirá se eles viverão “felizes para sempre”...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010